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Por
falar em língua árabe....
Veja
abaixo,parágrafos do livro "O Enigma de Qaf"
de
Alberto Mussa,estudioso do idioma e cultura árabes:
"As
lendas falam de um certo Yarub, quem primeiro ocupou as montanhas
do sul e foi o primeiro a pastorear cabras, queimar incenso e
preparar a infusão que denominamos café.
Foi esse Yarub, também, o primeiro homem a falar em árabe. Só
que a língua árabe, ao contrário das demais línguas humanas, não
surgiu após a queda da Torre de BabeI. Ela foi inventada por
Yarub.
Naquele tempo, os idiomas possuíam apenas verbos e substantivos,
além de alguns pronomes e partículas menores. Yarub criou o
adjetivo. Mas não se satisfez.
"Quero uma língua infinita, em que cada palavra tenha
infinitos sinônimos,é a frase clássica.
E o trabalho infatigável de Yarub fez do árabe uma língua
infinita. Mas havia um problema: substituía uma palavra por outra
sem nunca conseguir obter o mesmo sentido, de maneira
precisa, exata, inequívoca. Surgia sempre alguma idéia nova,
algum matiz, algo que escapava à acepção original.
Foi o caso de jâmal , camelo» inicialmente um pretenso sinônimo
de jamal (beleza); ou de bayt, casa» que Yarub tentou forjar como
equivalente de bayd (ovo).
Infortunadamente, esses insucessos caíram no conhecimento popular
e inspiraram os primeiros vagabundos que começaram a fazer
poemas. Yarub armou homens para trucidá-Ios. Mas não teve êxito:
o vício da poesia tinha contaminado as mulheres; e elas passaram
a ocultar os perseguidos, lançando sobre eles os próprios trajes
de que se despiam.
Yarub afrontou essa vergonha e manteve o cerco até que um dos
poetas - Awad, dito também Awad - compôs a sátira na qual
um mesmo termo podia ter dois sentidos. Era o fim.
- As palavras não são sequer sinônimas de si mesmas - concluiu,
de olhos baixos. "O
Enigma de Qaf" de Alberto Mussa , Editora Record - 2004
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Folha
Online 28/01/2005
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08h48
da France Presse, em Havana
Escritores do Brasil, Argentina, Colômbia e Cuba
ganharam o Prêmio Casa das Américas 2005 em romance,
teatro,
literatura infanto-juvenil, ensaio e literatura brasileira,
anunciou ontem o júri.
O vencedor na categoria de literatura brasileira foi Alberto
Mussa, com "O Enigma de Qaf",
um romance de notável
originalidade na exploração de estratégias narrativas,
que com
uma boa dose de humor resgata uma antiga técnica de contar histórias. |
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Folha
Online 27-01-2005
Livro que defende modernização
do árabe desperta ira de islâmicos
:
RYAD ABU AWAD
da France Presse, no Cairo
A publicação de um livro que defende a modernização da língua
árabe despertou nesta semana a ira dos islâmicos egípcios, que
pediram às autoridades que o proíbam, alegando que a obra atenta
contra a língua do Corão.
O livro, intitulado "Viva a língua árabe, abaixo
Sibawayh" (que elaborou, no século 8º, as bases da gramática
árabe), foi escrito por Chérif Chubachi, jornalista e
vice-secretário da Cultura, e publicado pela Autoridade do Livro
Egípcio, um órgão oficial.
O deputado islâmico Hamdi Hassán pediu oficialmente ao ministro
da Cultura, Faruk Hosni, que determine o confisco do livro, por
considerar que o autor ataca a língua árabe.
Hosni afirma que "o fato de reivindicar a simplificação da
língua árabe e de considerar que esta se encontra hoje
distanciada da modernidade é similar ao que reclamam os ocupantes
e os invasores".
"[O autor] esqueceu que a língua árabe é diferente das
outras línguas do mundo, visto que é a língua do Corão",
reforçou o deputado, que rejeitou a argumentação de Chubachi,
para quem "a língua árabe é a causa do subdesenvolvimento
do espírito árabe".
Entrevistado pela France Presse, Chérif Chubachi, que é o
presidente do Festival Internacional de Cinema do Cairo, disse que
os árabes "devem fazer a distinção entre a língua e o Corão".
"O Corão empregou a língua árabe para fazer sua mensagem
chegar à humanidade" e hoje "81% dos muçulmanos não
conhecem o árabe".
"Devemos fazer a separação entre o Corão e o árabe e eu
reivindico no meu livro o desenvolvimento da língua árabe",
reforçou.
Chubachi explicou que o árabe "é a única língua cujas
regras gramaticais não foram modificadas em nada há 1.500
anos".
"A linguagem empregada pelos jornais hoje é diferente da língua
de Mutanabbi" (grande poeta do século 10) "e é necessário
modificar sua gramática para desenvolver o idioma", disse.
Por exemplo, o árabe é a única língua que tem, além de
singular e plural, um gênero específico para quando se fala de
duas pessoas, o que é desnecessário. Além disso, não é
preciso usar o feminino plural, o que equivale a uma discriminação
entre gêneros, destacou.
O autor disse que sua motivação para escrever este livro foi
"a aversão que os estudantes e a nova geração mostram
frente aos cursos de árabe, em função da complexidade da gramática",
e a necessidade de aproximar "os intelectuais e os escritores
da maioria da população, visto que a complexidade da língua
criou um abismo entre eles".
"Acho que os árabes vivem num estado de esquizofrenia lingüística,
já que usam uma língua em sua vida cotidiana, enquanto escrevem
e estudam em outra língua. É preciso terminar com esta
esquizofrenia e isto só é possível desenvolvendo a língua",
sustentou.
O árabe literário, empregado na escrita, é comum a todos os países
árabes, enquanto o árabe falado difere muito de um país para
outro |
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Folha Online
27-01-2005
Software
poderá digitalizar documentos escritos em árabe
da Folha Online
Especialistas em informática estão desenvolvendo um software
que poderá digitalizar documentos em árabe --será possível
inclusive escanear frases específicas de textos escritos à mão.
A idéia é ajudar autoridades em trabalhos investigativos --uma
necessidade que foi evidenciada depois dos ataques de 11 de
setembro-- e também facilitar o acesso a manuscritos nessa língua,
colocando-os na web.
"Toda a internet é voltada a pessoas que falam inglês",
afirmou Venu Govindaraju, diretor do Centro de Biometria e
Sensores da Universidade de Buffalo (EUA), onde o programa é
desenvolvido.
Para o especialista, caso não haja softs para reconhecer línguas
com grafias diferentes da ocidental --caso da chinesa, japonesa
e árabe--, elas podem cair no esquecimento.
O especialista em língua árabe da Universidade de Maryland
Bill Young diz que as dificuldades serão grandes para fazer com
que o software reconheça textos escritos à mão.
Em entrevista à "Associated Press", ele afirmou que a
palavra "responsável", por exemplo, pode ser escrita
de mais de uma forma. Por isso, o programa teria de
"entender" as possíveis variações de cada termo.
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