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Osho Aqui ,palavras do mestre de meditação Osho. Se você quiser saber mais, procure no Orkut a "Comunidade Osho e Amigos" ou www.osho.com |
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Para ler ,clique no nome dos textos abaixo boa leitura! |
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“Homem
pode ser entendido como um edifício de sete andares: três são subterrâneos,
estão sob o chão. Um
andar, o médio, é meio subterrâneo e meio acima do
chão, o quarto andar, é onde nós estamos. Sigmund Freud
chamou-o a mente consciente. Quando
o Freud começou a trabalhar com pessoas doentes, ele se deu conta de
que há algo debaixo da mente consciente. Ele a
chamou mente
inconsciente e parou ai. O
colega mais íntimo de Sigmund Freud, e o psicólogo mais talentoso, era
Carl Gustav Jung. Ele trabalhou ainda mais , aprofundou-se
na psique do animal humano, e achou outro andar abaixo do inconsciente.
Ele chamou-o mente
inconsciente coletiva e parou ai. É bastante para um homem descobrir
isto, porque é um fenômeno tão vasto. Ninguém foi mais fundo.
Para
visualizar simplificadamente essa visão totalizadora da mente criamos
este diagrama:
O “continuum”consciente cósmicoconsciente coletivosuper-consciente
consciente
inconsciente
inconsciente coletivo
inconsciente cósmico
Estes são “espaços” que podemos observar dentro desse “oceano” imenso que é a MENTE. Ao tentarmos “explicar” o que são, temos que forçosamente usar metáforas.
Esta é a “viagem” do buscador que demanda muito esforço no início, paciência e coragem no fim.
Estamos no ”andar térreo”, o nível da consciência comum. Podemos iniciar escolhendo o caminho da luz e subir ou descer percorrendo as trevas. Pelo o que pude entender, estes “espaços” estão relacionados, pois pertencem a um “continuum” no qual há barreiras (fronteiras) que dificultam a passagem de um “território” para outro. Por isto é necessário ter o passaporte, as senhas ou os segredos que permitem passar de um para outro e poder voltar ao cotidiano. O que osho disse sobre essas “camadas”?
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SEM
NASCIMENTO, SEM MORTE E partimos sozinhos” – “Quem é Buda?” – a resposta seria fácil, ele poderia ter dito: “Gautama Sidarta”. Mas isso é irrelevante... Pai-Chang não está interessado em história do pensamento, ele não está interessado em história, em absoluto. Ele não está preocupado com um determinado homem chamado Gautama Buda. Está mais interessado num certo despertar, o qual pode acontecer com todo mundo, e que é o real significado de um buda. Ele está devolvendo a pergunta para o questionador, está fazendo dela uma espada para apunhalá-lo direto no coração. Ele diz: “Quem é você? Não me pergunte sobre budas, faça uma única pergunta: ‘Quem sou eu?’, e você saberá quem é buda. Não há necessidade de ficar procurando fora de si mesmo, pois todo mundo está carregando o potencial de ser um buda”. Lao Tzu diz que, para encontrar a verdade, a pessoa não precisa sair do quarto. Ela nem precisa abrir a porta, ou mesmo os olhos – porque a verdade é o seu ser. Conhecer isso é ser um buda. Lembre-se que as declarações dos mestres zen não são declarações no sentido ordinário da palavra... Não são para comunicar alguma coisa que você não saiba, mas para chocá-lo, para provocá-lo, para jogá-lo numa nova qualidade de consciência. Ouça estes sutras com isto em mente. Ikkyu não está expondo nenhuma filosofia. Estes sutras são choques em seus discípulos, e eles têm uma imensa beleza e um imenso potencial de abalar qualquer um. Escute: “Chegamos
sozinhos a este mundo E partimos sozinhos”... Isto tem sido falado, repetidamente, através dos tempos. Todas as pessoas religiosas têm dito: “Chegamos sozinhos a este mundo e partimos sozinhos”... Ora, o estar junto é completamente ilusório. A própria idéia de estar junto só aparece porque estamos sozinhos e a solidão dói. Queremos afogar nossa solidão no relacionamento... É por isso que ficamos tão envolvidos no amor. Tente ver o ponto. Ordinariamente, você pensa que se apaixonou por uma mulher, ou por um homem, porque ela é bela, ou porque ele é belo. Não é verdade. A verdade é completamente diferente: você se apaixonou porque não consegue ficar sozinho. Se nenhuma mulher bonita estivesse à disposição, você teria se apaixonado por uma feia mesmo. Portanto, não é uma questão de beleza. E, se absolutamente nenhuma mulher estivesse disponível, você teria ‘caído de amores’ por um homem. Assim, não é tampouco por se tratar de mulher. Você iria ‘cair’. Você iria se evitar de uma forma ou de outra. E há indivíduos que não se apaixonam por mulheres ou homens, mas por dinheiro. Eles começam a correr atrás do dinheiro ou entram em viagens de poder - viram políticos - também para evitar a solidão. Se você observar o ser humano, se você se observar profundamente, ficará surpreso, pois todas as suas atividades podem ser reduzidas a uma única causa. A causa é que você tem medo da solidão; tudo mais é apenas desculpa. A causa real é que você se encontra muito sozinho. E ser só é ser um desgraçado. É não ter para onde ir, ninguém com quem estar, ninguém em quem se perder. A poesia servirá, o sexo servirá, o álcool servirá – mas você precisa de alguma coisa que lhe encubra a solidão, que o faça se esquecer que é só. Este é o espinho da alma, que machuca sem parar. Você fica trocando de desculpas e o trabalho do mestre é trazê-lo para a causa original. Tudo que você chama de ‘caso de amor’ não é mais que uma escapatória. E eu estou incluindo aí todos os casos de amor. O pintor é apaixonado por suas obras... Não é pura coincidência que, se um homem estiver demasiadamente envolvido com a poesia, ele evitará as mulheres... pois elas serão uma distração. E toda mulher, naturalmente, suspeita do homem que tenha qualquer tipo de hobby, qualquer tipo de interesse especial ou envolvimento profundo. Fica com ciúmes, compreendendo que ele tem uma outra além dela. A mulher de um homem casado com a ciência, sentirá a mesma raiva que teria caso ele fosse apaixonado por outra pessoa - ela não quer a ciência entre os dois. Os buscadores e os pesquisadores, os poetas e os pintores têm sempre permanecido solteiros. Não é mera coincidência. Eles têm um outro tipo de caso de amor, não precisam da mulher, não precisam do homem. Observe só a sua mente. De um modo e de mil modos ela está tentando apenas uma coisa: “Como esquecer que sou só?” Outro dia mesmo, estive lendo estas linhas de T. S. Eliot: Seremos todos, de fato, Incapazes de amar e de inspirar amor? Então a pessoa é só... Se o amor não é possível, a pessoa é só. É preciso torná-lo possível. Se não é possível, tem de ser inventado, acreditado. Se é praticamente inviável, sua ilusão precisa ser criada – porque a pessoa necessita evitar a solitude. Quando você está sozinho, fica com medo. Lembre-se: o medo não vem dos fantasmas. Quando você está sozinho, é da solidão que vem o medo. Mas ficamos escondendo a causa, porque vê-la significa ser transformado ao ver. Quando você vai andando sozinho por uma floresta, na realidade, você não fica com medo de fantasmas, de ladrões, de assaltantes, pois eles estão mais nas multidões. O que estariam fazendo numa floresta? – todas as suas vítimas estão é por aqui. Quando você está sozinho em seu quarto, no escuro, você não fica com medo de fantasmas. Fantasmas são apenas projeções. Na realidade, você está com medo da solidão – este é o fantasma. De repente, você tem de encarar a si mesmo; de repente, você é obrigado a ver seu total vazio e absoluta solitude, sem nenhum modo de se relacionar... Você grita e grita, e ninguém o escuta, ninguém o abraça – não há ninguém para o abraçar, não há ninguém para o aquecer. Este é o medo, a angústia do homem: se o amor não for possível, a pessoa está só. Por isto, é preciso que o amor se torne possível, ele tem de ser criado – mesmo que seja falso, ele tem de ser criado. A pessoa precisa seguir amando, porque de outro modo será impossível viver. E, sempre que uma sociedade se depara com o fato de que o amor é falso, duas coisas podem acontecer: ou as pessoas começam a suicidar-se, ou passam a ser saniasins. As duas coisas são uma só. Suicídio é um esforço ordinário para destruir a si próprio... pois, se você não existir, ninguém estará sozinho... Mas isto não funciona, porque logo você estará num outro corpo. Isto nunca funcionou. Sânias é o derradeiro suicídio. Se a pessoa é só, então, a pessoa é só: isto tem de ser aceito, não é para ser evitado. Se a pessoa é só, e daí? Se este é o fato, então, este é o fato – precisamos penetrar nele. Sânias significa encarar a própria solidão, entrar nela, entrar nela apesar do medo, morrer nela. Se a morte vier assim, tudo bem, mas a pessoa não vai se esquivar da verdade. Se a solidão é a verdade, então a pessoa a aceita e penetra nela. Este é o significado do sânias. E a pessoa realmente comete suicídio. Ela desaparece. Esta é a transformação de que falo. Os budas não estão interessados em informação, estão interessados em transformação. E todo o seu mundo é um estratagema para escapar de si próprio. Os budas destróem esses estratagemas e o trazem de volta para você mesmo... É por isto que estar em contato com um buda é só para os raros, os corajosos. A mente ordinária não consegue suportar. A presença do buda é insuportável. Por que? Por que as pessoas têm sido tão contra Buda e Cristo e Zaratustra e Lao Tzu? Por uma certa razão: estas são as pessoas que não lhe permitem a luxúria da inverdade, o conforto da mentira, a conveniência de viver em ilusões. Estas são as pessoas que não lhe permitem, estas são as pessoas que o empurram para a verdade. E a verdade é perigosa. A primeira verdade a ser experimentada é que a pessoa é só. A primeira verdade a ser experimentada é que o amor é ilusório. Pense só, pense só na enormidade disto: o amor é ilusório. E você só tem vivido através dessa ilusão... Você amava seus pais, amava seus irmãos e irmãs... depois, foi se apaixonando por uma mulher, ou um homem. Você ama sua pátria, sua igreja, sua religião; você está apaixonado por seu carro, por sorvete... etc. etc. Você está vivendo em todas essas ilusões... e, de repente, você se encontra nu, só, todas as ilusões se foram... Dói. Esta manhã mesmo, Vivek estava dizendo... e ela tem repetido isto continuamente sobre estas lições de Ikkyu: “Estas lições são pesadas, depressivas.” Elas não podem deixar de ser porque, sempre que quaisquer de suas ilusões estão sendo tocadas, há uma grande inquietação. Você fica com medo. De algum modo, você estava dando um jeito... e, no íntimo... você sabe que não existe fundo, mas não quer olhar. Ver será aterrorizante, você quer permanecer na ilusão. Ninguém quer ver que seu amor é falso. As pessoas estão prontas para acreditar que seus amores passados eram falsos – mas este? Não, este é verdadeiro. Quando ele desaparecer, elas dirão que aquele também era falso – mas aí outro amor será o verdadeiro. Qualquer que seja a ilusão que estejam vivendo, elas fingirão que esta agora é verdadeira. “Quanto aos outros amores, Ikkyu pode estar certo, Osho pode estar certo, sobre os anteriores, que eram falsos, nós sabemos. Mas este? Este é uma coisa completamente diferente, não é um amor comum, eu encontrei minha alma gêmea.” Ninguém nunca encontrou – como você pode ter encontrado sua alma gêmea? A solidão é absoluta. Esses são apenas esforços para enganar a si próprio - e você pode continuar se enganando. É isso que tem feito através dos tempos, por tantas vidas... Mas você esquece. E você esquece por causa do trauma do nascimento. Ao nascer... a criança se lembra – ela se lembra perfeitamente de tudo que aconteceu na vida passada. Ela sabe. Mas o trauma do nascimento é tal, a dor do nascimento é tanta... Ela viveu confortavelmente no útero por nove meses – nunca mais você terá tanto conforto, nem mesmo um imperador poderia ter tanto conforto. Você estava flutuando num líquido tépido, com todas as necessidades preenchidas, sem responsabilidades, nenhuma preocupação. Você estava apenas dormindo profundamente e sonhando, sonhando doces sonhos. Você estava todo protegido, seguro. Tudo estava acontecendo por si mesmo, nem um mínimo esforço era requerido de sua parte. E, de repente, um dia, depois de nove meses, todo este mundo é destruído. Você é arrancado. Você estava enraizado no útero, estava conectado com a mãe... e você é desconectado. Você tem de passar através do canal vaginal, que é um canal muito estreito. A criança sofre imensa dor. A dor é tal que ela fica inconsciente. Há um mecanismo embutido na mente: sempre que algo se torna insuportável, você é simplesmente apagado por ela para que não precise sentir. De fato, chamar uma dor de insuportável é existencialmente incorreto porque, sempre que uma dor se torna não suportável, você fica inconsciente. Deste modo, você nunca chegou a sentir dor insuportável – se passou por ela em consciência, ela foi ainda suportável. Uma vez que ela chega ao ponto no qual se torna insuportável, imediatamente, todo o mecanismo da consciência é desligado: você desmaia... uma anestesia natural. Assim, toda criança desmaia ao passar pelo canal vaginal e isso lhe rompe a memória. Mais uma vez, ela começa a fazer as mesmas tolices de sempre, pensando que está fazendo alguma novidade. Ninguém está fazendo nada de novo. Tudo que você está fazendo, você já fez tantas vezes, tantos milhões de vezes! Não é nada de novo. Essa raiva, essa cobiça, esse sexo, essa ambição, essa possessividade – você já fez tudo isso milhões de vezes. Mas, por causa do trauma do nascimento, houve uma descontinuidade, um intervalo; e, por causa do intervalo, seu passado não está mais disponível. Através de um profundo grito primal, o passado pode ficar disponível. Se você puder se mover para trás, penetrando no trauma do nascimento, poderá lembrar-se de suas vidas passadas. Mas você terá de entrar fundo no trauma do nascimento. Uma vez que tenha chegado de volta ao estágio uterino de sua consciência, verá, subitamente, toda a sua autobiografia. E ela é longa, é tediosa – não é nada além de angústia, fracasso e frustação. Na nova comuna, vamos nos esforçar por fazê-lo lembrar-se de suas vidas passadas. Você então não pensará que estes dizeres de Ikkyu são depressivos, você verá que eles são verdades. Mas você está vivendo numa vida não verdadeira, pensando estar fazendo uma coisa nova. E, porque pensa que é nova, fica enfeitiçado pela magia do novo. Se lhe for possível chegar a saber que você caiu de amores milhões de vezes e que todas elas foram um fracasso, será impossível cair no laço novamente. Você verá que é fútil – que não existe nenhuma alma gêmea, que nunca existiu; que a solidão é absoluta; que não há como comungar, que não há como se comunicar; que ninguém pode entendê-lo e que você não pode entender ninguém. Eu sei que estas conversas só podem ser depressivas. Por que? Porque estas conversas tocarão em algumas feridas e o pus começará a brotar. Não se esqueça: de vez em quando, é bom manter uma ferida aberta, porque é a condição para a cura. Mas é preciso coragem, com certeza; sem coragem nada pode ser feito. Para manter uma ferida aberta é preciso grande coragem – mas esta é a condição para a cura... Você gostaria de esconder o fato, gostaria de escondê-lo por detrás de flores, gostaria de se esquecer da ferida. Você gostaria de procurar uma consolação: “Talvez seja porque o amor não aconteceu ainda mas, agora, ele pode acontecer... desta vez, quem sabe, eu consiga”... Mas o amor não pode acontecer. Torná-lo possível não é uma questão que dependa de você. O amor em si é uma impossibilidade. Ele o mantém iludido, ele o mantém numa espécie de estado de sonho. Ikkyu diz: “Chegamos sozinhos a este mundoE partimos sozinhos”.... Companhia é ilusória, solidão é mais fundamental. Amor é ilusório, meditação é mais fundamental... mas esta é ilusória também no final das contas. É aqui que Ikkyu vai um passo à frente e dá o salto quântico. Você já ouviu isto muitas vezes: “Chegamos sozinhos a este mundo e partimos sozinhos”. Mas Ikkyu diz: Isto também é ilusão. Vou lhes ensinar a maneira De não vir e de não ir! Isto é zen, puro zen. A religião comum ensina: o amor é ilusório. O zen finalmente ensina: a própria meditação é ilusória. Permita-me deixar bem claro... Amor significa estar junto, significa a possibilidade de estar com alguém, a possibilidade de estar perdido um no outro, a possibilidade da comunicação, a possibilidade do relacionamento. Quando o amor falha, quando ele falha completamente, você começa a se dirigir para a meditação. Meditação significa a capacidade de estar só. São polaridades: amor e meditação. Meditação significa a capacidade de não se relacionar – não há necessidade de se relacionar, a pessoa se basta. Muita gente fica apegada ao mundo do amor; alguns poucos escapam dele e então ficam pendurados no mundo da meditação. O zen diz: Se você se apega ao mundo da meditação, se você começa a se agarrar à solitude, ainda está muito longe da verdade. Porque, se estar em companhia de alguém é falso, como pode a solitude ser verdadeira? Esta é a grande revolução que o zen traz para o mundo da religião: se o estar junto é falso, a solitude também não pode ser verdadeira... porque a solitude só pode ser compreendida no contexto do estar junto. Se o amor é falso, então, a meditação também não pode de ser verdadeira. Os que optaram pela meditação contra o amor escolheram uma polariade. E um polo depende do outro. Pense só: se a escuridão for falsa, como a luz pode ser verdadeira? Se a dor for falsa, como a felicidade pode ser verdadeira? Se o nascimento for falso, como a morte pode ser verdadeira? Se ‘eu’ sou falso, como ‘você’ pode ser verdadeiro? – ou vice-versa. Eles existem como pares... Amor e meditação são um par, casados para sempre. E, se você observar silenciosamente o funcionamento da sua mente, verá acontecer continuamente... Você está apaixonado por uma pessoa e logo começa a sentir que precisa do seu próprio espaço. Esta é uma necessidade de meditação – pode ser que você não olhe desta forma, mas é exatamente isto. Estando junto, você começa a se sentir sufocado, atropelado, esmagado. Você começa a perceber que precisa do seu próprio espaço, que gostaria de ficar uns dias sozinho. Há pouco tempo, recebi uma carta de uma saniasin. O namorado dela tinha viajado para o ocidente. Naturalmente, ela andava muito preocupada e tensa, porque ficaria sozinha aqui, sem o namorado. E ele tinha motivo para ir, alguma responsabilidade – ele gostaria de poder ficar com ela, mas precisava ir. Assim, ela andava transtornada, sofrendo muito. Mas ela estava surpresa – ele viajou, e foi como se um peso tivesse ido embora. Ela se sentiu muito bem. Escreveu então a carta para mim, toda culpada. Parecia uma espécie de traição: o namorado foi embora e você está se sentindo feliz! Você deveria estar chorando, soluçando, deveria estar por aí de cara triste para que todo mundo soubesse que seu namorado foi embora. E ela está se sentindo mais feliz do que nunca! Ora, o que está acontecendo? Não é preciso sentir culpa. Se as pessoas prestarem atenção, é isto que está se passando com todo mundo. Sempre que seu namorado for embora, você vai dançar de alegria. Até que enfim, você vai poder ficar sozinha!... Isso não pode durar muito – em poucos dias, você estará cansada da solitude e começará a sentir saudades do namorado. Trata-se de uma polaridade... O amor cria a necessidade do estar só: a solitude acontece necessariamente a partir do amor. E, quando você está sozinho, o estar só cria a necessidade de amar: o amor acontece necessariamente a partir do estar só. Eles são sócios, sócios no mesmo negócio. O zen diz: As pessoas que escapuliram para o Himalaias e estão sentadas sozinhas em suas cavernas são tão estúpidas quanto as pessoas que estão caçando mulheres, ou caçando homens, pensando que estão vivendo a vida. Nos dois casos, elas são estúpidas!... porque, em ambos, elas escolheram polaridades. E está comprovado, por milhares de anos de experiência, que o homem que fica na caverna dos Himalaias só pensa em mulher, em nada mais. E, é claro, ele fica com cada vez mais medo dela – porque ela chega mesmo lá, se não fisicamente, pelo menos psicologicamente. Ele fica tão fascinado que há momentos em que começa a projetar a mulher quase fisicamente, como se ela estivesse lá. Ele pode começar a ter halucinações. Nas escrituras indianas, há histórias de grandes rishis meditando nos Himalaias... Um belo dia, de repente, lindas mulheres do céu chegam para distraí-lo. Por que elas estariam interessadas em distrair essa pobre gente? Para que? Ninguém vem, é pura alucinação. Aquelas pessoas viveram demais na solitude, estão cansadas e agora não há ninguém com quem se relacionar. Elas criam, elas projetam. Suas mentes estão numa tal necessidade que elas têm de criar alguém com quem falar. E, naturalmente, se você vai criar, por que não criar belas mulheres peladas, dançando ao seu redor? Esta era a repressão, foi por isto que eles escapuliram do mundo – estava lá, dentro deles. E você viu o outro ponto? Uma pessoa, no meio do mercado, cansada, preocupada, tensa, começa a pensar em como renunciar ao mundo. Ela se sente muito bem, só com esta idéia: “Um dia, vou renunciar ao mundo e vou para os Himalaias. Vou lá para o silêncio himalaico, sentir aquela paz, aquele júbilo.” Só esta idéia faz com que se sinta bem e refrescada. Particularmente na Índia, as pessoas ficam pensando que, um dia ou outro, irão renunciar a todo este absurdo, a este mercado, escapando para algum monastério, onde viverão em felicidade para sempre. Elas não conseguem. Pense naquelas mulheres celestiais: elas virão até você, elas irão torturá-lo. Meditação e amor são componentes de um par, de um casal. Eles estão juntos, estão casados para sempre... ying/yang, não podem se largar. Por isto, Ikkyu é absolutamente verdadeiro quando diz: “Chegamos sozinhos a este mundo E partimos sozinhos” – Isto também é ilusão. O amor é ilusão e assim é a meditação. A única coisa que é boa na meditação é que ela pode lhe tirar do amor. Mas não se apegue a ela – é apenas uma artifício para retirá-lo do seu amor. Ela o tira da ilusão do amor. Mas, então, imediatamente, abandone-a também, senão você vai começar a criar novas ilusões, de meditação: kundalini subindo, luz acontecendo nos chacras... e mil e uma coisas – as tais “experiências espirituais”. Elas não são espirituais nem coisa alguma, são apenas imaginação... Você não consegue viver sozinho por muito tempo. Se as belas mulheres não estiverem vindo, então a kundalini vai subir – alguma coisa vai acontecer, pois você não consegue ficar sozinho. Pode ser que as belas mulheres se esqueceram, ou que estejam cansadas demais dos velhos rishis, e não vêm mais; ou talvez estejam ocupadas em outros planetas... Então, alguma coisa precisa acontecer: você vai começar a ver chacras em movimento dentro de você, energia subindo; em sua espinha, um grande fluxo acontecendo; na cabeça, lótus se abrindo. Você não consegue ficar sozinho! Você está criando o mundo... agora, você pode chamá-lo de espiritual. O nome que você dá não importa. O que importa é o simples fenômeno de que você não consegue ficar sozinho por muito tempo. Você não consegue ficar junto por muito tempo, você não consegue ficar sozinho por muito tempo. Estar junto cria a necessidade de estar sozinho, de ficar só. E, mais cedo ou mais tarde, você descobrirá que está ansiando por estar junto de alguém... É apenas dia e noite, verão e inverno... sempre girando - a roda da vida. Ikkyu está certo. Ele diz: A verdade é que a pessoa precisa ir além do amor e além da meditação. A pessoa precisa ir além do relacionamento e a pessoa precisa ir além da solitude. Quando tanto o relacionamento quanto a solitude desaparecerem, o que fica? Nada fica. Este nada é o sabor da existência. Você não é só nem acompanhado. De fato, você não é. Vou
lhes ensinar a maneira De não vir e de não ir! E, então, para onde você pode ir? Quem está aí para ir? De onde você pode vir? Quem está aí para vir? Então, todo o ir e vir desaparece e aquilo que sempre é é conhecido: o eterno é conhecido. Todo o ir e vir são apenas sonhos, fenômenos de tempo, bolhas de sabão, efemeridades. Quando todas as coisas passageiras forem largadas, ao perceber que a comunicação não é possível, que o relacionamento não é possível, você começa a se mover para a solitude. Então, um dia, você percebe um outro fenômeno: que a solitude não é possível. Aí, ao invés de ir de volta para o amor, que seria o curso ordinário, você salta além da solitude também. Você vai mais fundo. Do dois, você entra no um; do um, você entra no nenhum – nem um. Isto é o advaita, isto é o não-dual, que você nem mesmo pode chamar de ‘um’. Esta é a fonte. Este é o oceano. Nós somos suas ondas. Vendo este oceano, você sabe que nunca nasceu e, do mesmo modo, nunca vai morrer. Toda a sua existência era uma existência de sonho. Tudo desapareceu. BUDA CHAMOU ESSA TENDÊNCIA de estar ou no amor ou na solidão de propensão do ego para permanecer... O ego está disposto a ficar: seja no relacionamento, seja no não-relacionamento; seja como amante, seja como meditador; como homem do mundo ou como homem do outro mundo, o ego quer ficar... Buda deu a essa disposição o nome de avidya, “ignorância”. Lembre-se que avidya não quer dizer não-conhecimento, quer dizer simplesmente desatenção. Avidya é a inclinação para tratar o ego como um absoluto. Isto cria um hiato entre o homem e o universo e, por causa dele, o homem não está na sua relação correta para com o mundo. Essa desvirtuação é avidya, ignorância, não-percepção. Você se dirige para o amor numa espécie de desatenção e você se dirige para a meditação também numa espécie de desatenção. Se ficar atento, o amor desaparece, a meditação desaparece. Mas é preciso lembrar – senão você pode interpretar mal a coisa toda: quando aquilo que você chama de amor desaparece, surge um outro tipo de amor, do qual você não tem a menor noção e, quando a meditação desaparece, surge um tipo totalmente diferente de meditatividade, da qual você não faz a mínima idéia. Sua meditação é esforço – é prática, cultivação, condicionamento. Quando essa meditação é deixada para trás, uma qualidade meditativa inocente surge em seu ser. Você simplesmente é silencioso, sem nenhum motivo. Não que esteja pelejando para ficar silencioso, não que esteja procurando ficar calado, não que esteja fazendo esforços para permanecer tranqüilo - você simplesmente é tranqüilo, pois não há ninguém para fazer tumulto. O ego não está lá, a única causa da perturbação se foi. Você simplesmente é quieto – não que esteja tentando ficar quieto. Tentar ficar quieto significa apenas que você está perturbado, partido, dividido em duas partes: uma que quer silenciá-lo e uma que está sendo puxada e induzida a ficar silenciosa. Há uma espécie de conflito, e como o conflito pode ser meditativo? Há uma forçação, uma violência, e como violência pode ser paz? É por isto que digo que as pessoas que se impõem posturas de ioga, que ficam repetindo mantras, procurando de alguma forma manter a paz, não são pessoas pacíficas. Estão apenas criando uma fachada, uma hipocrisia. Quando o homem verdadeiro surge em você, quando o homem original surge em você, não há esforço para ser coisa alguma. A pessoa apenas é. Este é o homem natural do zen. Ele ama, não porque precise de alguém; ele ama porque não pode deixar de amar. O amor está lá, o amor está fluindo, e não há ninguém para impedir; assim, o que ele pode fazer? Ele é meditativo, não porque medite; ele é meditativo porque nele não há distúrbio. A única causa do distúrbio, o ego, não está mais lá, a divisão não está mais lá. Ele é ‘um’ - é recolhido, calmo, integrado. E tudo isto é simplesmente espontâneo. Por esse motivo, o homem real do zen não é chamado de espiritual pelas pessoas do zen – ele não é mundano nem espiritual. Ele está no mundo e, no entanto, não é dele. Vive no mercado mas o mercado não vive nele. O ensinamento de Buda é absolutamente negativo, por uma certa razão. O amor tem de ser negado e então a meditação tem de ser negada. Ora, estas são as duas coisas mais elevadas do mundo, as mais preciosas. E Buda nega ambas. Soren Kierkegaard, um pensador e místico dinamarquês, teve uma compreensão profunda sobre o ensinamento negativo. Ele diz que somente o ensinamento negativo é possível pois, qualquer que seja o ensinamento positivo, a mente se apega e começa a criar novos sonhos. Se você fala de Deus, a mente se apega a Deus. Ele vira um objeto e a mente começa a pensar: “Como me relacionar com Deus? Como alcançar a Deus?” Vira de novo um caso de amor. Se você ensina sobre moksha, paraíso, o homem começa a cobiçar: “Como conquistá-lo?” E a cobiça gera novos sonhos e novos pesadelos. Só o ensinamento negativo é possível. Um ensinamento verdadeiro é necessariamente negativo, um caminho verdadeiro é via negativa. Por que? Porque os homens argumentam contra a verdade, escapando dela intencionalmente. O propósito do ensinamento negativo é interromper tudo isso e despertar o homem para que seja ele mesmo, uma vez que está se evitando, negando a si próprio. O ensinamento negativo é a negação da negação. Toda a sua vida é negativa, agora mesmo, negativa. Você está escapando de si mesmo – esta é a sua negação. Ora, esta negação só pode ser negada por outra negação. E, quando duas negações se encontram, elas se eliminam mutuamente, elas se destróem mutuamente, elas desaparecem nessa luta... E sobra o positivo... Na verdade, o que sobra nem mesmo pode ser chamado de positivo: nenhum negativo sobrou, assim, não pode ser chamado de positivo. Trata-se do cósmico, da verdade - o eterno, o derradeiro, o absoluto. O caminho de Buda é neti neti – nem isto, nem aquilo. Ele diz: Siga negando. Chega um
momento em que nada mais é encontrado para ser negado, e este é o
momento do nirvana. Quando nada é deixado por negar, somente o nada em
suas mãos, a liberdade acontece. Você está livre do eu e de tudo que
ele projeta. Comemos,
defecamos, Dormimos,
acordamos – Assim
é o mundo. Depois, Só nos resta morrer. Esta afirmação tem dois significados. O primeiro é para o homem ignorante. Essa é a vida que você leva, toda a sua vida. Veja de que consiste: Comemos, defecamos, Dormimos, acordamos – Assim é o mundo. É isso que você tem feito. A mente deve ser completamente estúpida, senão, como ficar só nisso? Comer, defecar, dormir, e acordar de novo - o círculo recomeçando... Essa é a sua vida. Você se movimenta desse modo. Entra dia, sai dia, entra ano, sai ano... entra vida, sai vida e você não pára de girar assim. Depois, Só nos resta morrer. Só uma coisa é deixada fora do círculo: a morte. Mais cedo ou mais tarde, ela também chega. Esta é a história toda. Omar Khayyam diz em seu Rubaiyat: “Por um breve momento, falaram um pouco de mim e de ti; depois, nada mais de ti nem de mim”. Só falta de assunto, conversa à toa... Comer, defecar, dormir e morrer - sua vida só consiste nisso. Aí surge a questão: Mas isso é o que faz mesmo uma pessoa iluminada! O que fez Buda durante quarenta anos, depois que ficou iluminado? O que fez o próprio Ikkyu? Durante tantos anos, ele permaneceu iluminado na terra e estava fazendo a mesmíssima coisa. Sim, mas com uma diferença. É preciso que esta diferença seja entendida, pois um homem do zen vive como todo mundo, vive de um modo tão absolutamente comum que você não conseguirá fazer outra distinção. Se você for olhar um monge jaina, por exemplo, ele vive de um modo diferente. Ele também come, defeca, dorme, acorda - ainda a mesma roda girando. Mas ele inventou modos especiais para comer: ele não trabalha, mendiga. Para defecar também, ele criou maneiras especiais, ele evacua de um modo extraordinário. Ele não vai a um banheiro comum, não, ele precisa ir fora da cidade. Ele não pode usar seu banheiro, pois não é um ser humano ordinário. Veja como é estúpido nosso modo de funcionar: coisas extraordinárias! Ele vai fora da cidade, só come uma vez por dia... Numa certa seita jaina, é ainda mais difícil: eles comem em pé. O monge jaina se levanta para comer, vive pelado, nunca toma banho, jamais escova os dentes. Ele não dorme em cama mas direto no chão, só com palha por debaixo e em cima. E não tem abrigo, fica andando de um lugar para outro, numa constante mudança. Mas essas diferenças estão nos detalhes. Basicamente, se você vai defecar fora da cidade ou simplesmente usa o banheiro comum que todo mundo está usando, qual é a diferença? Se você trabalha para sobreviver ou alguém trabalha para você e você pede esmola, qual é a diferença? Se você come duas, três ou cinco vezes, ou uma só, faz diferença? Como pode fazer diferença? São apenas hábitos que podem ser cultivados. Existem tribos na África que comem só uma vez a cada vinte e quatro horas. Eles comem assim há séculos e estão acostumados. Eles não conseguem acreditar que alguém coma duas vezes; uma é suficiente. Ora, essas diferenças em detalhes são apenas para criar a idéia de que “Eu sou especial”. São viagens do ego. Um homem do zen vive simplesmente como você. É muito difícil ver a diferença, mas ela existe. A diferença é que ele testemunha tudo que está acontecendo – esta é a única diferença. Ele come, mas é uma testemunha... Ora, esta é uma diferença interior, você não consegue ver pelo lado de fora... Mas um pouquinho filtra para fora também. Você pode observar um homem do zen caminhando: ele caminha tão conscientemente, tão alerta. Ele come conscientemente, alerta. Ele até dorme conscientemente: uma chama permanece queimando mesmo no seu sono, ele segue observando mesmo os seus sonhos. Ele está sempre em vigília – atento, consciente, alerta. Esta é a diferença. E porque está alerta, ele permanece relaxado. Porque está relaxado, todo o mundo está relaxado para ele. É o mesmo mundo, mas as rosas são muito mais rosas e o verde é muito mais verde... e o chamado do pássaro é uma imensa alegria. Eu ouvi contar: A paciente era uma bela corista que reclamava de tensão nervosa. O doutor prescreveu um esquema de pílulas tranqüilizantes e disse que ela voltasse duas semanas depois para dizer como se sentia. Quando voltou, ele perguntou se ela estava notando alguma diferença. “Não, doutor, mas as outras pessoas me parecem muito mais relaxadas!” Se você estiver relaxado, notará de repente que as outras pessoas parecem muito mais relaxadas. Se você estiver silencioso, o mundo inteiro cairá em profundo silêncio. Se estiver meditativo, você de repente se tornará consciente de que as árvores estão meditando, as pedras estão meditando... a lua está em profunda meditação... assim como o sol e as estrelas. Quando o amor começa a inundá-lo (não o amor que você conhece, mas o amor que os budas conhecem), quando o amor começa a fluir, você de repente vê que ele está fluindo por toda parte. Ele está fluindo das árvores – você dá o nome de fragrância; é amor. Ele está irradiando do sol – você dá o nome de luz; é amor! Ele é a gravitação na terra – você chama de gravitação; é amor... Ele é o silêncio da noite, o trinado dos passarinhos, a correnteza no rio, o silêncio nos Himalaias. Quando seu amor começa a fluir, você percebe, de repente, que o amor está fluindo em toda parte, que esta vida consiste de amor, que a existência é feita da substância chamada amor. Mas, primeiro, ele precisa acontecer em você. Um homem do zen vive tão ordinariamente quanto você vive. Mas seu modo de ser ordinário não é ordinário. Seu modo de ser ordinário tem uma qualidade extraordinária: ele irradia alegria, celebração. Ele irradia um testemunhar. Um grande mestre zen, Lin Chi, diz: “Oh irmãos de caminhada, vós precisais saber que, na realidade do budismo, não há nada de extraordinário a ser executado. Vivei exatamente como de costume, sem nem vos esforçardes por fazer qualquer coisa em particular, atendendo a vossas necessidades naturais, vestindo vossas roupas, comendo vossas refeições e deitando-vos quando cansados. Deixai que os ignorantes riam de mim. Os sábios compreenderão o que digo.” Lin Chi está dizendo: Não faça nada em particular, não seja um fazedor. Deixe que as coisas aconteçam e seja um observador. E os ignorantes rirão de você, dizendo: “Que espécie de religião é essa?” Você deve ter encontrado essa gente ignorante. Vão lhe dizer: “Que espécie de religião é essa? Em que logro você caiu? Pois seu mestre não está lhe ensinando nada de especial.” Sim, eu não estou lhe ensinando nada de especial – porque todas as idéias de ser especial são viagens do ego. Estou lhe ensinando a ser normal, a ser comum. E, se você puder relaxar na normalidade, na ordinaridade, de repente, você se romperá numa extraordinária radiância, um grande esplendor lhe acontecerá. Lin Chi está certo quando diz: “Deixai que os ignorantes riam. Os sábios compreenderão o que digo.” Coma, beba e divirta-se, como todo mundo. Não tente ser especial de maneira alguma. Porém, comendo, permaneça uma testemunha; bebendo, permaneça uma testemunha; divertindo-se, permaneça uma testemunha. E esse testemunhar irá mudar tudo, esse testemunhar é a transformação. Somente esse testemunhar o fará consciente de quem você é. Eu não vou morrer, Não vou para nenhum lugar, Ficarei aqui. Mas não me façam perguntas, Não responderei. ESTES SÃO OS VERSOS DA MORTE de Ikkyu. Tradicionalmente, no zen, quando um mestre está morrendo, os discípulos pedem um poema da morte: a última expressão poética, os últimos dizeres, o testamento, a última declaração sobre a morte. Ikkyu diz:
Comemos, defecamos, Dormimos, acordamos – Assim é o mundo. Depois, Só nos resta morrer. Agora, a morte está
chegando, e os discípulos lhe pediram que compusesse o último poema. E
foram estes seus versos finais:
Eu não vou morrer, Não vou para nenhum lugar, Ficarei aqui. Mas não me façam perguntas, Não responderei. Ikkyu diz: Eu não vou morrer... Ikkyu diz:
Vou lhes ensinar a maneira De não vir e de não ir! Quando um homem morre, em seus últimos momentos, ele projeta a idéia do nascimento. Nos últimos momentos, ele começa a pensar: Como voltar? Em que forma? A totalidade das suas experiências de vida fica condensada em uma determinada forma, uma forma aparece. A pessoa viveu de um certo modo – ela gostaria de viver de uma outra maneira, mas não conseguiu dar jeito. Agora, essa outra forma toma possessão da sua mente: “Da próxima vez, eu gostaria de ser assim.” E a última idéia quando a pessoa está morrendo torna-se uma semente. Se você puder morrer sem uma idéia, você não nascerá. Seu nascimento é sua idéia, ela o cria. Não é por acaso que você nasce, nada é acidental. Você provocou, você é responsável. As pessoas morrem com formas diferentes em suas mentes - essas formas tornam-se diretrizes. Então, as pessoas entram em um útero compatível com aquelas diretrizes e ocorre o nascimento. E você ficará surpreso ao saber que a morte é também sua idéia. As pessoas morrem de acordo com suas idéias. De fato, a psicologia profunda suspeita que toda morte é um suicídio. E a suspeita é quase verdadeira. Eu digo ‘quase’ porque tenho de deixar os budas de fora. Mas, quanto a todos os demais, é verdade: sua morte é sua idéia. Mais cedo ou mais tarde, você começa a ficar cansado da vida e começa a pensar em como morrer, em como desaparecer. É demais, basta! Você já não pensou muitas vezes em cometer suicídio? Freud deu com a idéia, que ele chamou de ‘thanatos’, o desejo de morrer. Todo mundo tem isso bem no fundo; é o que decide sua morte. Mesmo as pessoas que morrem em acidentes são pessoas propensas a sofrer acidente, são pessoas que gostariam de morrer de acidente. Nós vamos dando chances e, quando acontece, ficamos surpresos. Observe só as suas idéias e como elas criam a sua vida. Alguém pensa que é um grande fracasso, que nunca vai fazer nada na vida... E não vai fazer nada mesmo, porque essa idéia está criando a sua realidade. Quanto mais a pessoa achar que não está abrindo caminho para coisa alguma, mais seu pensamento será reforçado pelo feedback e mais ela se achará um fracasso. Um círculo vicioso está criado. E o homem que pensa que vai dar certo tem sucesso... O homem que pensa que vai ficar rico fica rico e o homem que pensa que não vai ficar rico permanece pobre. Tente. Você ficará surpreso; algumas vezes, nem será capaz de acreditar. Um homem pensa que nunca vai encontrar ninguém que queira fazer amizade consigo, e não vai encontrar, pois criou uma muralha da China a seu redor, não está disponível. Ele precisa provar que sua idéia estava certa – lembre-se. Mesmo que algumas pessoas se aproximem com muita amistosidade, ele as rejeitará. Ele precisa confirmar a sua idéia, ela é parte demais do seu ego. Ele tem de mostrar ao mundo que estava certo, que ninguém era capaz de ser seu amigo, que todos são inimigos. E, aos poucos, todos vão virar inimigos... Observe só a sua mente: você está constantemente criando a sua vida, você está constantemente tecendo a sua vida. Os psicólogos chegaram à constatação de um fato: porque as pessoas, há séculos, têm a idéia de que a vida consiste de três vintenas e uma dezena de anos, elas morrem em torno dos setenta, não havendo outra razão. Porque pensam que setenta anos é o limite - deixando de lado alguns excêntricos que morrem um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde - elas geralmente seguem a rotina, a convenção, morrendo por volta dos setenta anos. Elas começam a se acomodar; quando chegam aos sessenta, estão se aprontando. Elas se aposentam, começam a se retirar do mundo, estão se preparando. Durante dez anos, elas vão ficar pensando: “Está chegando. Três vintenas e uma dezena... Um ano se passou, restam nove. Dois se passaram, faltam oito”. Elas ficam se hipnotizando constantemente e, por volta dos setenta, elas se vão. Elas comprovaram sua idéia... E elas passaram a seus filhos também o mesmo pensamento de que a vida é assim, apenas setenta anos. Há tribos que vivem mais. Na fronteira de Kashmir, no Paquistão, há uma tribo, Hunza – eles vivem muito. Cem anos é muito fácil, cento e vinte não é difícil, cento e cinqüenta é também possível. Mas, desde que entraram em contato com outras pessoas, eles começaram a morrer mais cedo. Sua comida continua a mesma, tudo continua o mesmo – o clima, tudo é o mesmo. Mas parece que, só porque vieram a saber que as pessoas costumam morrer mais cedo, eles ficaram meio culpados e começaram a morrer mais cedo também– é preciso seguir a multidão. Em trinta, quarenta anos, eles vão desaparecer. Vão fazer parte... três vintenas e uma dezena. Quando Bernard Shaw, em sua velhice, estava procurando... Ele viveu muito. Quando tinha cinqüenta anos, ele estava procurando um lugar para morar. Queria sair de Londres. E você sabe como ele encontrou? Foi uma investigação muito psicológica. Ele ia aos cemitérios para olhar os túmulos e ler o que esta escrito. Ele achou um cemitério onde as pessoas tinham vivido muito – noventa, noventa e cinco, noventa e oito, cem... Um homem tinha morrido aos cem anos e, na sepultura, havia um epitáfio que dizia: “Este homem morreu antes do tempo”... e ele tinha vivido cem anos! Ele disse: “Este é o lugar certo para viver”. Onde as pessoas pensam que morrer aos cem anos é antes do tempo, aí ele escolheu para morar. E ele viveu muito – a idéia funcionou. Os psicólogos dizem que, no físico do homem, parece não haver necessidade alguma de morrer. Sim, você ficará surpreso de saber que existe a possibilidade de que um dia o homem possa viver muito, muito, quase uma imortalidade física, pois o corpo segue se renovando. Não há realmente necessidade de que ele morra, porque está constantemente se repondo. Células velhas desaparecem, novas células surgem - em sete anos, o corpo se troca completamente. Ele se recicla continuamente, se renova, rejuvenesce - é um continuum. Não há uma necessidade intrínseca de que o corpo morra. Agora os psicólogos concordam a respeito. E eles estão também sentindo que a razão pela qual as pessoas morrem possa ser algo que tenha a ver com a mente, não com o corpo. Este é um dos maiores ensinamentos do budismo: que nascimento é mente, que morte é mente - tudo idéias. E você não é nenhum dos dois. Não vou para nenhum lugar, Ficarei aqui. Mas não me façam perguntas, Não responderei... Apenas alguns momentos atrás, eu lhe falei a respeito do trauma do nascimento. Quando uma criança nasce, ela pensa que aquilo é uma morte. É natural, pois ela estava vivendo tão lindamente e está sendo jogada para fora do paraíso. Adão é expulso em cada criança: ele estava no Jardim do Éden e agora está sendo expulso. Aquilo era vida, e isto parece ser morte. E cada criança, durante toda a sua vida, quer voltar para o útero materno. Nós criamos úteros substitutos... São úteros nossos quartos de dormir: a porta fechada, as cortinas pesadas; apagando a luz à noite, fica escuro, tão escuro quanto um útero; e, então, a cama, a cama aconchegante, os travesseiros, o colchão, os cobertores - e você se aninha nas cobertas e assume a postura uterina... No calor da cama, na escuridão ao redor, no conforto, no silêncio... mais uma vez, você está deslizando para o útero. Toda noite, cada sono é uma nova encenação do útero, é uma pequena morte. É por isso que você acha tão difícil levantar pela manhã – o seu inconsciente profundo está sendo perturbado novamente. É de novo um nascimento, o trauma do nascimento ainda o está afetando. Você ficará surpreso, que as pessoas primitivas não têm esse problema. Por volta do nascer do sol, elas estão de pé, sem problema algum. E a razão é que elas não têm tanto trauma do nascimento. Numa sociedade primitiva, uma criança não nasce com tanto sofrimento como acontece com as pessoas civilizadas. A mãe não passa por grandes dores. É muito simples, exatamente como os animais. A mãe pode estar trabalhando no campo... Ela dará à luz a criança e a carregará para casa. Ou, quem sabe, seja meio dia e o trabalho não esteja completo... Ela deixará a criança ao lado da árvore, terminará o trabalho e, depois, pegará a criança na volta para casa. Nenhuma hospitalização é necessária, nenhum remédio é necessário, ela não sente dor. Ao contrário, ela sente um grande êxtase. A experiência de dar à luz é mais orgásmica do que qualquer experiência sexual jamais poderá ser. E o bebê chega tão facilmente que não tem nenhum trauma do nascimento. É por isso que, nas sociedades primitivas, as pessoas se levantam cedo pela manhã. Quanto mais uma sociedade se torna civilizada, tanto mais difícil vai ficando... Outro dia, perguntei pela Padma e ela estava dormindo, às onze horas. Deve ter sofrido um grande trauma do nascimento! Se você sofreu um grande trauma do nascimento, então, toda manhã, você vai achar muito difícil levantar; todo o seu corpo vai querer continuar na cama, isto é, seu corpo vai querer continuar no útero – não vai querer sair dele, você vai ter de ser puxado para fora. Nascimento cria morte... Cada sono é uma pequena morte... É por isso que muitas pessoas acham bastante difícil fazer amor na cama - porque desperta a idéia da morte. Elas ficam meio assustadas, achando bem melhor fazer amor no carro ou na praia. Na cama, fica difícil. Para algumas, chega a ser realmente impossível, pois toda a idéia de cama conjura uma atmosfera de morte... Porém, é somente na cama que uns homens conseguem fazer amor pois, ao entrar no corpo da mulher, eles pensam que estão entrando de novo no útero... Depende do seu modo de pensar: se você achar que, ao entrar no corpo de uma mulher, está entrando novamente no útero, então você não encontrará outro lugar para fazer amor a não ser a cama; mas, se você tiver medo da morte e o trauma do nascimento lhe provocar memórias, será então difícil ser orgásmico numa cama... As pessoas morrem na cama. Mm? Noventa e nove por cento morrem na cama. Naturalmente. Deve ser a coisa natural, um dia, elas desaparecem na cama. E, ao longo da vida, elas pensam em como criar de novo o útero... A casa em que você mora é uma re-criação do útero - quanto mais próxima uma coisa for de um útero, tanto maior a sensação de conforto.
Eu não vou morrer, Não vou para nenhum lugar, Ficarei aqui. Mas não me façam perguntas, Não responderei. A morte é falsa, tão falsa quanto o nascimento. Você está além do nascimento e além da morte. Você entra no nascimento, toma a forma do nascimento e, então, você se move para além dessa forma na morte – mas você é sem forma. No entanto, nada pode ser dito sobre isto. É preciso que seja experimentado. Seja lá o que for, Tudo é parte do mundo de ilusão, A própria morte Não sendo algo real. Ikkyu costumava chamar esta abordagem do nascimento e da morte de “sem nascimento, sem morte”. Ele costumava dizer: “Este remédio pode curar todos os males” – pois todos os males estão em algum lugar entre o nascimento e a morte. Se você puder deixar para trás a idéia de nascimento e morte, tudo está abandonado. Então, você não precisa ficar preocupado com o amor e você não precisa ficar preocupado com a meditação. Então, não há estar junto e não há estar só. Você é um com o todo. Como pode estar sozinho? E como pode estar junto? – pois não há outro alguém além do todo. O todo é o todo – nada além, nada fora – assim, ele não pode estar junto com ninguém. É por isto que estar junto é impossível. Mas você não pode estar sozinho também, porque a própria idéia “Eu estou sozinho” faz com que se sinta separado do todo. Você está nele. Você é ele. Tanto neste mundo Quanto no outro, Perguntem a um homem de compaixão e sinceridade. E, quando você estiver fora da meditação e fora do amor, o amor acontecerá e a meditação acontecerá por conta própria. Então, eles não serão pequenas coisas criadas por você, serão dons de Deus. Tanto neste mundo Quanto no outro, Perguntem a um homem de compaixão e sinceridade. A compaixão dele lhe dará a idéia - seu amor, seu amor transbordante, sem absolutamente nenhum motivo. Se você puder encontrar um homem de amor... lembre-se daquelas palavras: “Só um relance do homem real e você está amando”. Então, você é amor. Se você puder encontrar um homem de amor, não perca a oportunidade. Ele é a porta: entre nele. E você encontrará sinceridade. Lembre-se que sinceridade não significa seriedade. Significa veracidade, significa autenticidade. E como você julgará se o homem é autêntico, se é verdadeiro ou não? Só há uma coisa a lembrar: a verdade é paradoxal. Só a inverdade é consistente. Se você encontrar um homem muito consistente, evite-o, porque isso significa que ele está tão somente filosofando. Ele ainda não experimentou coisa alguma, não é um homem sincero. Um homem sincero é aquele que simplesmente diz o que é o caso – se o contradiz, se é consistente ou inconsistente, não faz diferença. Lembre-se da definição zen da verdade: Verdade é aquilo cuja contradição é também verdade. Assim, um homem de sinceridade tem de ser paradoxal. E é aí que nos perdemos. Se você encontra paradoxos, fica pensando: “Esse é um homem inconsistente; como pode ser verdadeiro?” Você tem uma idéia de que a verdade precisa ser consistente – e isso o impede de encontrar budas. E você cai no laço dos lógicos, dos filósofos, dos pensadores. Um buda é basicamente, fundamentalmente, tacitamente, paradoxista – porque vê a verdade em sua totalidade. E a totalidade é paradoxal. A verdade é ambos: dia e noite; amor e meditação. A totalidade é ambos: isto e aquilo; visível, invisível. A totalidade é tanto nascimento quanto morte, e nenhum dos dois. Totalidade significa que a coisa toda é tão complexa que você não pode fazer nenhuma afirmação consistente a respeito. Você tem de ficar se contradizendo. Se você puder encontrar um homem de contradições, pode ser que esteja perto de alguém que sabe. Verdade é aquilo cuja contradição é também verdadeira. Procure pela sinceridade através do paradoxo... Ele é tão sincero que está pronto para se tornar inconsistente. Sua sinceridade é tal que ele está pronto para ser chamado de louco. Sua sinceridade é tal que ele não tenta convencê-lo através da lógica. Ele não é um vendedor. Ele não está preocupado em convencê-lo. Ele apenas declara o que for caso – se você fica convencido ou não, é com você. Ele não está, de maneira alguma, interessado em forçar qualquer coisa sobre você. Ele está pronto para ajudar, não para coagir. E o que é compaixão? Não significa piedade. Os budas não sentem piedade de você, porque a piedade surge do ego. Eles são misericordiosos, eles são compassivos – e a diferença é grande. Outro dia mesmo, alguém me fez uma pergunta: “Os grupos” - os grupos de terapia – “que acontecem aqui são muito duros, chegam a ser cruéis. Como você permite isso, sendo um homem de compaixão?” E não foi só isto: ele mencionou o incidente que eu relatei uns dias atrás, sobre um amigo meu que estava em vias de cometer suicídio. Ele conta que “Ouvindo essa história, eu pensei que você é também muito cruel. Você não tentou persuadir o homem a não cometer o suicídio, ao contrário, você estava pronto para levá-lo ao rio para pular do rochedo e morrer. Que espécie de compaixão é essa?” Você perdeu a história toda. Ele foi salvo! Você perdeu o ponto. Não é como ele foi salvo – o ponto é que ele foi salvo. Olhe para o resultado. Um homem compassivo olha para o resultado. Os artifícios que ele usa não são importantes. Ele está pronto para usar qualquer artifício – olhe só o resultado objetivo. Um homem compassivo não é sentimental, não é emocional. Você gostaria que eu o tivesse abraçado e chorado... Mas então ele teria cometido o suicídio! Teria sido compaixão? Eu o teria levado ao suicídio. Era isso que seus pais, sua mãe e seu pai, e seus amigos estavam fazendo, eles o estavam induzindo a cometer suicídio. Quanto mais eles buscavam persuadi-lo, mais ele se esmerava em dizer não. De fato, ele estava ficando cada vez mais excitado com a idéia do suicídio, por causa dessa gente, por causa da sua atenção. E eles eram todos pessoas amorosas, eles amavam o homem – mas veja a diferença. Estes são os dois tipos de amor: um é sentimental e emocional - não ajuda; o outro é o amor objetivo - este ajuda. Mas então a pessoa que está cheia de amor objetivo, decide como persuadir. Seu único propósito é como salvar as pessoas. Eu queria salvar aquele amigo, por isso fui tão cruel. E eu quero que você também seja salvo, e é por isto que todos os grupos de terapia aqui são cruéis. Algumas vezes, até as pessoas que deveriam ser mais esclarecidas, interpretam mal... Foi o que aconteceu com um dos saniasins, Geet Govind. Ele veio de Esalen, é um co-fundador de Esalen, de modo que sabe tudo sobre grupos de terapia. Mas ele não sabe nada sobre mim. Ele não sabe nada sobre compaixão objetiva. Vendo o grupo de encounter aqui, ele ficou muito abalado. E nem foi corajoso o bastante para dizê-lo diretamente pois, depois do grupo de encounter, eu perguntei especialmente: “O que você pensa, Geet Govind?” E ele disse: “Está muito bom, tudo está bom nele, eu gostei” – ou coisas assim. Mas, de volta em casa, ele começou a espalhar as novidades: “Não vão a Puna. As pessoas de lá são perigosas, os grupos são muito violentos e cruéis”. Ele entendeu mal a coisa toda. Mas é o que acontece com pessoas preocupadas em adquirir conhecimento - porque ele acha que sabe. E ele sabe sobre grupos de encounter, mas não sabe que, quando um grupo de encounter é usado por um homem compassivo, é uma coisa totalmente diferente. Ele sabe sobre terapia, mas não sabe nada sobre budas. Aqui, os grupos de terapia não são exatamente grupos de terapia como são em Esalen. Aqui, eles são usados somente como artifícios para destruir alguma coisa, para sacudi-lo e acordá-lo. A questão é arrancá-lo do seu sono. E todo tipo de coisa será usado. Se algumas vezes for preciso enfiar um punhal em seu coração, ele há de ser usado. Se uma espada for necessária, ela há de ser usada. Você se lembra das palavras de Jesus? “Não vim ao mundo para trazer a paz mas para trazer uma espada.” O que ele quer dizer? Um homem de compaixão! Somente alguma coisa como uma espada pode sacudi-lo do seu sono. Então, quando você se encontrar com um homem de misericórdia, lembre-se: a ele só interessa acordá-lo. Ele não é sentimental, não vai chorar com você, vai ser muito objetivo e muito científico. Mas ele sente por você, ele o ama e quer ajudá-lo. E só ele pode ajudar. Toda essa gente sentimental, todo esse despropósito sentimental não vai ajudar. Se fosse ajudar, você já estaria salvo. Assim, sempre que você conseguir encontrar um homem de sinceridade, um homem de paradoxo, autenticidade, cujo total interesse esteja na verdade, disposto até a parecer contraditório, pois não muda a verdade apenas para ficar consistente, e que tenha por único propósito ajudar as pessoas a se tornarem alertas e conscientes, estando preparado mesmo para usar métodos cruéis, se algumas vezes forem necessários - este é o homem de compaixão e sinceridade! E só um homem de compaixão e sinceridade pode ser um mestre. Evite aqueles que o consolam. Siga aqueles que estão prontos para destrui-lo – porque Deus só nasce quando você é destruído.
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Amado
Osho,
Eu me lembro de Você falando sobre os olhos e o ato de se olhar
dentro dos olhos das pessoas e do de esconder-se, ao não se olhar
diretamente dentro dos olhos de alguém. Depois desse discurso, eu larguei
os meus óculos, que eu usava desde que tinha um ano de idade. Sem usá-los,
descobri-me mais aberta a olhar nos olhos das pessoas, e senti grande
poder em meus olhos. Poderia Você, por favor, falar sobre a necessidade
psicológica de usar óculos?
Isso é algo verdadeiramente significativo de se compreender.
Nenhum animal precisa de óculos. É muito estranho o por quê do
homem precisar de óculos. As razões são duas: a primeira é a razão
fisiológica; e a segunda é a razão psicológica.
A razão psicológica é que o nosso processo de ajudar uma mãe a
dar nascimento a uma criança está basicamente errado. Por exemplo: a
criança esteve durante nove meses em profunda escuridão; seus olhos são
muito delicados, frágeis. E, no hospital onde ela vai nascer, ela vai
encarar, imediatamente após o nascimento, luzes fortes a toda a volta.
Esse é o primeiro choque para todo o delicado sistema dos seus olhos. E
os olhos são a parte mais delicada do seu corpo - mais tenros que uma pétala
de rosa, muitíssimo frágeis e importantes, porque oitenta por cento das
experiências de sua vida dependem deles. Somente vinte por cento são a
contribuição dos seus outros sentidos.
Essa é uma das razões de por que um cego, subitamente, cria uma
profunda compaixão em vocês. O surdo não cria a mesma compaixão. Ele
também tem a perda de algo - ele não pode ouvir. O mudo não pode
falar... De qualquer outro modo o corpo pode ser deficiente, mas nada cria
mais compaixão em você do que o cego. Sem saber, inconscientemente, há
uma compreensão de que o cego é o mais pobre.
Oitenta por cento das experiências da vida dele estão anuladas;
ele está vivendo com somente vinte por cento. Sua vida não tem cores,
sua vida não tem experiências de beleza, sua vida não tem experiências
de proporção. Sua vida perdeu a beleza do pôr-do-sol e da noite
estrelada. Seus olhos perderam milhões de outros olhos que estão cheios
de experiências - e estar em contato com eles é estar em contato com
diferentes mundos.
Mas a maneira como os hospitais decidiram fazer nascer uma nova
criança é perigosa. Primeiramente, estragam os olhos. Em segundo lugar,
destroem a confiança da criança. A criança viveu durante nove meses no
útero da mãe, com imensa confiança - a questão da dúvida nem aparece.
Tudo o que ela quer, ela consegue - na verdade, antes de ela querer, ela o
consegue. Não há nenhuma responsabilidade, nenhuma preocupação, nenhum
problema de tempo. Ela não pensa no amanhã, nem tem lembranças do
ontem. Ela vive momento a momento, completamente alegre. Não há nada
para torná-la triste, nada para torná-la miserável.
Mas, no momento em que nasce, toda a sua vida passa por uma grande,
trágica mudança. Os médicos estão apressados - não podem esperar nem
dois minutos. Querem cortar logo o cordão que une a criança à mãe - e
cortam-no imediatamente, sem se incomodar com o fato da criança ainda não
ter respirado por si mesma, do seu próprio sistema ainda não ter começado
a funcionar... eles já cortaram a conexão com a fonte de vida da mãe.
Esta é uma das feridas profundas que será carregada por toda a sua vida.
E depois, para fazer a criança respirar, eles a dependuram de cabeça
para baixo e batem-lhe na bunda - uma grande recepção! E por causa dessa
pancada, a criança começa a respirar. Mas esta respiração não é
natural nem espontânea. Se eles tivessem esperado por apenas dois ou três
minutos e deixado a criança em cima da barriga da mãe... Ela esteve lá
dentro nove meses; com apenas três minutos do lado de fora, em cima da
barriga - a mesma quentura, a mesma mulher, a mesma energia -, ela começaria
a respirar por si mesma. E depois, cortar o cordão, seria absolutamente lógico,
racional e científico. E tudo o mais que está sendo feito então, não leva em conta as implicações. A criança esteve no útero da mãe, em uma certa quentura. Estava flutuando. O melhor modo seria, uma vez que ela começasse a respirar por si mesma, pô-la em uma banheirinha de água morna, contendo a mesma química que a do útero da mãe - é exatamente a mesma que a da água do oceano. ...E é isso o q | ||||||